' A alma natural é tão somente um estado provisório:
uma escola que deve conduzir a alma a seu “renascimento”, a uma transformação fundamental e, portanto, a uma “nova alma”.
Uma esplêndida imagem disso é a da lagarta que se torna crisálida para finalmente renascer como borboleta. É significativo que a palavra grega psyche designe de fato e ao mesmo tempo “alma” e “borboleta”.
Como pode ser explicada essa metáfora da borboleta?
A borboleta é, sem dúvida, completamente diferente da lagarta, a começar por sua aparência. Ela possui outros órgãos, outra percepção, se desloca e se alimenta de forma diferente.
A lagarta se alimenta de folhas, enquanto que a borboleta se alimenta de néctar. A lagarta rasteja, a borboleta voa.
A lagarta tem uma aparência compacta e desajeitada, enquanto que a borboleta é leve, delicada, um inseto maravilhoso.
Através da metamorfose a lagarta se torna crisálida:
ela abandona toda sua existência e sua natureza peculiar para se tornar o solo nutritivo que dará forma à borboleta.
A estrutura da lagarta se liquefaz, torna-se uma substância viscosa constituída
de proteínas e outros elementos químicos – com exceção de um único núcleo,
uma célula a partir da qual se desenvolverá a nova forma.
Sob uma perspectiva gnóstica o sentido da metáfora da borboleta se torna claro. Em nosso estado natural nos assemelhamos a uma lagarta.
Todavia também está em nós o potencial de uma “nova alma”, de uma alma que tem uma estrutura totalmente diferente, construída a partir de uma substância totalmente diferente.
Essa “nova alma” é a borboleta.
Nosso caminho em direção a ela não é um refinamento da condição de lagarta, porém a “crisálida”, uma troca de forma, uma transfiguração.
Nessa transmutação alquímica, nossa existência constitui a substância, o solo nutritivo para a nova forma. Porém, para isso, tudo que é antigo deverá ser liquidado, com exceção de um núcleo, um átomo que formará o embrião de uma nova alma. '
Rosacruz Aurea

Nenhum comentário:
Postar um comentário